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Acessibilidade à cultura é ferramenta de inclusão social

Na foto os atores Antonio e Bruno Fagundes e  Mirian Caxilé

A democratização do acesso à cultura é uma das formas pelas quais o cidadão com deficiência exerce e desenvolve a cidadania, adquirindo também seu espaço físico e social, deixando seu território familiar para se relacionar com o mundo e a sociedade. É uma conquista de independência, além de constituir uma forma de expressão, de criação e discussão. Hoje é impossível pensar no desenvolvimento da sociedade como um todo sem levar em conta todos os grupos que a compõem.
Apesar de serem muitos os esforços para o desenvolvimento e aplicabilidade de estratégias inclusivas e projetos que permitam o acesso efetivo à cultura em nosso país, infelizmente a prática não acompanha a teoria. Discute-se muito, realiza-se pouco. Com um grande número de leis, normas, decretos e portarias, o Brasil ainda está longe de ser um país acessível no que diz respeito a toda e qualquer deficiência.

É preciso que se entenda que acessibilidade vai além de rampas, elevadores, vagas de estacionamento ou espaços reservados em plateias. É muito mais amplo que apenas adaptações de espaços. Segundo Murillo Onesti, da OLN advogados, “a diminuição de barreiras arquitetônicas não é o bastante; precisamos criar meios de incluir as pessoas com deficiência na cultura, promovendo mudanças para que essas pessoas tenham participação na sociedade e possam utilizar da estrutura oferecida ao público em geral”.

Soluções relativamente simples podem ser determinantes na hora de fazer com que pessoas com deficiência participem dos vários movimentos culturais existentes à sua volta. E assim descubram, inclusive, novas formas de apropriação e ocupação do espaço público.

A falta ou escassez de oportunidades nesses aspectos é fator determinante do desinteresse de muitos deficientes pela cultura. Seja para aqueles que nasceram assim ou ainda os que se tornaram deficientes durante a vida e acabaram por abandonar o hábito de consumir arte e cultura.

Ainda falta um longo caminho a trilhar no que diz respeito a práticas constantes de audiodescrição, closed caption, tradução em LIBRAS ou legendas em espaços de cultura. Não apenas teatros e cinemas, mas também museus, galerias e exposições diversas (o que também inclui descrições, monitoramentos culturais com possibilidade de uso do tato para deficientes visuais, por exemplo).

Em artes visuais, a prática de inclusão de pessoas com deficiência já vem de muito tempo. Na Pinacoteca do Estado, por exemplo, desde 2003 é possível agendar visitas guiadas pelo acervo com monitoramento especial. Também na Pinacoteca, desde 2009, funciona aberta ao público a Galeria Tátil com esculturas em bronze que podem ser tocadas, e descrições em Baile. A Unibes Cultural, em 2016, trouxe a aclamada exposição Diálogos no Escuro – para todos os públicos, inclusive cegos – com o objetivo de levar a população a refletir sobre a deficiência visual.

Um exemplo de acessibilidade em teatro vem das produções do ator Antonio Fagundes. Tudo começou com o espetáculo Tribos (que excursionou por todo o país e internacionalmente). O espetáculo tratava justamente do tema da deficiência auditiva. Então, nada mais lógico que a produção oferecesse sessões regulares com audiodescrição, interpretação em LIBRAS e legendas. Carlos Martin, diretor de produção da Fagundes Produções explica que “incluir o teatro na vida daqueles que não tinham acesso por falta de oportunidade foi determinante” e passou a ser uma constante nas produções da companhia, nacional e internacionalmente. Baixa Terapia, a atual produção do ator, em cartaz em São Paulo, oferece sessões acessíveis todo último sábado de cada mês.

Iniciativa que, segundo o produtor Marllos Silva (Prêmio Bibi Ferreira), vem se tornando uma prática em todo o país e que destaca a importância de trazer de volta às salas de espetáculo um público negligenciado pela cultura.  E acrescenta que, em 2017, o Prêmio Bibi Ferreira (dirigido à categoria de musicais) “contará pela primeira vez com uma intérprete de LIBRAS” e revela que a intenção para as próximas edições do prêmio é ser o mais abrangente possível em termos de acessibilidade.

 

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